A cidade e suas mudanças
Nossos bairros vão mudar, e a gente também.
Quem me conhece sabe que eu sou péssima com mudanças. Mas a vida e o urbanismo têm me ensinado que elas são inevitáveis.
Por um lado, as cidades nunca param de mudar. Por outro, é difícil fazer qualquer mudança na cidade sem que haja pelo menos uma pequena oposição.
Construir um prédio novo no bairro? “De jeito nenhum! Aqui já está cheio demais, o trânsito vai piorar muito!” Remover uma árvore que está causando problemas? “É um absurdo, estamos destruindo a natureza!” Plantar uma árvore numa rua sem sombra? “Ah, mas agora as folhas vão cair e sujar toda a calçada.”
Recentemente presenciei uma situação parecida.
Moro com os meus avós em um bairro residencial (um típico “bairro-dormitório”) de Brasília que passou por pouquíssimas mudanças nas últimas décadas. Até as poucas padarias e farmácias são as mesmas há muito tempo.
Em um pequeno comércio perto de casa, havia uma agência do banco BRB onde os meus avós iam com certa frequência — embora sem tanta necessidade, agora que quase tudo pode ser feito por aplicativo. Um belo dia, eles chegaram em casa indignados ao descobrir que a agência estava fechando.
“Puxa, quando eu tiver que resolver alguma coisa no banco para onde eu vou agora?” “E os idosos que não sabem usar o aplicativo, vão fazer o que?”
São preocupações válidas, é verdade. Mas talvez a indignação tivesse mais a ver com o fato de que uma pequena realidade local, consolidada há muito tempo, estava prestes a mudar. E as mudanças quase sempre trazem consigo algum nível de desconforto.
Alguns dias se passaram, e eles descobriram o motivo do fechamento da agência: o local passaria a ser alugado por uma nova Smart Fit. (Aqui vale destacar que a oferta de academias perto da minha casa é quase inexistente, e as mais próximas exigem um trajeto de 10min de carro.)
Imediatamente, a revolta se transformou em uma alegre aceitação. O “puxa, que pena que a agência vai fechar” virou um “já fizemos a nossa matrícula na nova academia” antes mesmo da inauguração. Engraçado como a nossa percepção sobre as mudanças também pode mudar tão facilmente.
A cena me fez pensar que já que as mudanças são inevitáveis — tanto nas cidades quanto em nós mesmos —, talvez possamos tentar acolhê-las de braços mais abertos quando elas vierem. Obrigada, agência do BRB, por dar lugar à nova Smart Fit que vai facilitar tanto a nossa rotina.
Viva as mudanças!
